Crave a Marca - Veronica Roth

Se você, assim como eu, se apaixonou pela escrita da Veronica em Divergente e por isso quis ler o lançamento, já te aviso: PREPARA! Aqui você encontrará mais fantasia e ficção científica em meio a uma realidade distópica.

Em uma galáxia diferente da que conhecemos, a Assembleia - uma nave com diversos políticos - supervisiona os nove planetas que compõem o sistema solar, conectados à Corrente. Sim, parece confuso, e é, e ainda vai piorar) A corrente é uma energia misteriosa que confere dons - poderes e limitações - a todos os habitantes da galáxia ao atingirem uma idade, definindo os fortes e os que irão perecer.

O planeta de gelo Thuve vive uma guerra milenar entre duas nações rivais que reividicam o domínio do lugar. Os thuvesitas são religiosos, com dons que fazem o bem, têm o Oráculo e um amor especial pelas flores-de gelo; já o povo Shotet são os piratas do espaço, mais brutais e instáveis, angariando os descartes dos outros planetas, visitando um a cada temporada em busca daquilo que não podem produzir.

É essa rivalidade que Akos e Cyra precisam enfrentar. Ele teve sua família destruída num ataque shotet, no qual foi raptado junto com seu irmão. No terreno inimigo, ele conheceu Cyra, irmã do líder shotet, cujo dom da corrente se manifestara cedo demais e causa dores horríveis nela e em quem a toca, sofrimento que seu irmão usa para amedrontar qualquer um que ouse ir contra ele.

Akos tem o dom de anular qualquer dom, e é assim que ele se aproxima de Cyra. Suas dores são temporariamente suspensas ao toque de Akos, que vira uma espécie de servo. Mas o convívio se torna mais próximo, e juntos eles poderão lutar juntos por um objetivo em comum, salvando toda a galáxia de um destino tenebroso.

Tenso, né? Se você tem paciência pra ler o sumário, vai ver que no fim do livro há um guia de pronúncia e um glossário. Curiosa do jeito que sou, já fui lá e levei um choque com a quantidade de nomes e informações. Não li a sinopse, esperava que fosse algo tipo distopia, e não é. E fica bem claro já no começo, quando, voltando ao sumário, nos deparamos com um mapa antes do primeiro capítulo - primeiro desafio: aplicar as pronúncias certas nos nomes dos planetas.

Aí veio, e eu precisei parar e fazer uma lista de quem era quem pra não me perder. Além da quantidade grande de personagens, os nomes são muito estranhos, então fica mais difícil de relacionar, em especial quando você ainda está tentando entender os países, a ligação entre eles, que diacho é Assembleia, corrente, dom, fortuna e tudo mais...

É isso que "piora", a mitologia criada em Crave a Marca é bem diferente do tipo do que estou acostumada, e ouso dizer que até mesmo os leitores de fantasia não acharam o texto tão fluido assim. É uma leitura densa, difícil, que exige atenção e persistência. Se você vencer o medo das quase 500 páginas, insistir e se esforçar pra entender nomes, planetas e dons, não irá se arrepender.

O título pode parecer estranho, mas foi uma boa adaptação do original e tem super a ver com a história. A capa também é a mesma, e eu quase sempre prefiro isso - até porque essa é ótima! Tirando um ou outro errinho de revisão, o trabalho da Rocco é louvável.

A narrativa é dividida em quatro partes. Começa em terceira pessoa com uma boa introdução do mundo criado por Veronica, dando destaque a Thuve e Akos, incluindo sua captura. Depois Cyra assume a narração e mostra o outro lado, os shotet, e o governo autoritário de seu irmão. As partes 3 e 4 são intercaladas entre os pontos de vista dos dois protagonistas. Por mais que eu goste de mudança de foco, não curto tanto mudança de narração, preferia que mantivesse uma constância de narrador-observador ou narrador-personagem.

Gostei da construção dos personagens e me encantei especialmente por Akos, por acompanhar seu amadurecimento forçado. Usei a empatia em vários momentos pra entender motivos, sentimentos e O romance não era o foco, mas poderia ter sido melhor explorado assumo totalmente meu lado romantiquinho hahaha. De toda forma, foi gostoso ver como ambos superaram a rixa que lhes fora ensinada e enxergaram no outro não apenas uma amizade, mas principalmente uma oportunidade de mudar seus destinos.

A maior frustração foi chegar ao fim e ver que muitas coisas ficaram abertas. Não tem jeito, é esperar a continuação e torcer pra não esquecer esses nomes loucos até lá. No geral, Crave foi uma surpresa e tanto depois que venci a barreira inicial da novidade do mundo fantástico de Roth. Uma leitura tensa, que fala sobre ambição, disputa pelo poder, diferenças entre culturas e muito mais. Arrisque-se!

Crave a Marca - Veronica Roth
Rocco
480 páginas
Livro cedido pela editora
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Giulia Ladislau
26 anos. Filha do Rei. Carioca da gema. Aliança na mão esquerda. Pedagoga por formação, militar por profissão, revisora por paixão. Fascinada por livros desde quando nem se entendia por gente.

2 comentários

  1. Olá, é ótimo saber que a queen Veronica voltou com tudo! Crave a Marca ocupa o topo da minha lista de livros e depois dessa resenha estou ainda mais ansioso para ler. O autora criou uma trama original e cativante, já nos fazendo amar os personagens. Beijos.

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  2. Giulia!
    Pelo jeito o livro é bem complicado, mas da forma como foi dividido, dá para irmos entendendo toda dinâmica da história.
    Gosto de finais abertos, embora não sei se em um livro de ficção isso seja tão bom, a menos que vá ter continuação...
    “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher.” (Simone de Beauvoir)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de MARÇO, livros + KIT DE PAPELARIA e 3 ganhadores, participem!

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