Ó, o Globo - Ana Beatriz Manier

Resenha Livro Ó, o Globo

Carioca que é carioca já experimentou e morre de orgulho desse biscoito. Um símbolo da nossa cidade, o par perfeito do mate leão na praia, a salvação dos engarrafamentos... A cara do Rio! E quando vi que tinha um livro sobre a história desse lindo, fiquei doida pra conhecê-lo um pouquinho mais.

Não tenho colocado mais as sinopses, mas essa merece e muito, afinal é o próprio redondinho delícia se apresentando.

Sou um ícone da carioquice, um amigo de infância, dizem até que já sou membro da família. Memória gustativa de 99,9% dos que no Rio de Janeiro vivem, viveram ou viverão. Sou repleto de curiosidades. Estreei por aqui no Aterro do Flamengo, fiz fama em Botafogo. Sou sessentão, mas nem pareço. Sou redondo e farelento, com muito orgulho. Sempre fresquinho, só ando de verde ou vermelho. Tem quem goste de mim bem bronzeado. A maioria me prefere salgado. O mate é meu melhor amigo, somos quase inseparáveis. Adoro praia, estou sempre no Maracanã, não importa qual time esteja em campo. É verdade o que dizem por aí, não circulo por rua pouco movimentada. Embora meus pais tenham raízes espanholas e portuguesas, sem mandioca eu nada seria. Detesto publicidade, “Pra quê?”, pergunto, “Se já sou tão querido!” Metido a iguaria, frequento festas descoladas, mas não perco as infantis, não mesmo. Tenho um parente que vive tentando me imitar, nem ligo. Sou saudável e nutritivo, pode me traçar sem culpa. Uns gostam, outros me adoram. Há até os que me idolatram, é sério (afinal, sou global). Bem, há um ianque que me detesta, lá em Nova York, tá out ele. Minha receita de sucesso? Sou feito com muito amor e carinho.

E é isso mesmo! Vir ao Rio e não provar esse ícone não é vir ao Rio. Mas chega de elogios e vamos ao que interessa!

Nessas quase 200 páginas vamos encontrar mais do que a história do biscoito, temos também um vislumbre da história da família que o criou. Com isso, vemos um pouquinho da História do Brasil, começando no início do século XX, passando pela imigração de europeus, até os dias de hoje. Mas tem todos os bafafás envolvendo as mentes brilhantes por trás do polvilho, com direito a casamentos e separações.

O livro é repleto de curiosidades, algumas engraçadas como as coincidências que a autora chama de Um caso de emissoras. Antes de virarem Biscoito Globo, os biscoitos de polvilho eram feitos na Padaria Record. E durante 30 anos o fornecedor de polvilho do Biscoito Globo foi o Polvilho Record. rsrsrs Aproveitando, só mais uma curiosidade: tem Biscoito Extra também, numa referência ao jornal concorrente, mas que, na verdade, é quase um primo do Globo.

Mesmo com dor no coração, temos que dar créditos à nossa eterna rival São Paulo, pois foi lá o início de tudo. Se você ficou encasquetado pra entender como veio parar na cidade maravilhosa, tem no livro. Se você quer entender a origem do nome, tem no livro. Se você quer saber como o bonequinho da marca apareceu, tem no livro. Se você fica imaginando como é a fábrica e o processo de produção da delícia crocante, tem no livro.

Os queridos ambulantes, aqueles que salvam a nossa fome nos momentos mais inesperados, não podiam ficar de fora! Eles merecem - e muito! - afinal os vendedores de mate de barril e de biscoito de polvilho são considerados patrimônio cultural e imaterial da cidade do Rio de Janeiro por decreto.

Resenha Livro Ó, o Globo

E para pra pensar um tiquinho... você já viu propaganda do Biscoito Globo? Eu nunca! É porque não precisa, né? E os donos são categóricas ao afirmar que "infelizmente não fazemos propaganda", nem mesmo o Matte Leão, a Coca-Cola ou a Portela conseguiram essa proeza. Ele é "autodivulgável", inclusive com vários episódios de publicidade espontânea. O esforço de um trabalho de anos somado a um tiquinho de sorte, não?

Pra quem pensa que é balela, conversa de vendedor, o livro traz um capítulo especial pra depoimentos de cariocas - da gema ou por adoção - que provaram e aprovaram. Dentre eles, alguns ilustres consumidores, como Ziraldo, Helô Pinheiro e Evandro Mesquita.

Ah! A polêmica com o New York Times precisava ser comentada. Quem não morreu de raiva quando um jornalista metido a besta falou mal da nossa relíquia? Pior foi saber que ele se disfarçou de bom moço numa entrevista sobre o modus operandi da fábrica no período das Olimpíadas e depois escreveu criticando o dono e o biscoito. Vá te catar! Ainda bem que brasileiro é do tipo "só eu posso falar mal do meu país" e logo muita gente saiu em defesa, inclusive com a #somostodosbiscoitoglobo. É, amigo, não se mete com a gente não!

A capa é muito legal por esse vazado. Ao fundo, o Globo em seu habitat natural: a praia! A editora fez duas edições de capa e marcadores - verde e vermelha, pra combinar com os dois sabores (doce e salgado). E dentro ainda encontramos 16 páginas coloridas com fotos e lembranças da história da família e do Biscoito Globo,

A leitura é bem informativa, às vezes pode cansar pelo excesso de informações sobre os donos, mas a história de ambos se confunde, é necessário falar tudo. Mas depois de virar a última páginas você vai saborear cada mordidinha de biscoito de polvilho com muito mais prazer. Leia! E, pra não passar vontade, esteja com um saquinho do lado. ;)

Resenha Livro Ó, o Globo

Ó, o Globo - Ana Beatriz Manier
Valentina
192 páginas
Livro cedido pela editora
Onde comprar: Submarino | Saraiva | Amazon
Giulia Ladislau
26 anos. Filha do Rei. Carioca da gema. Aliança na mão esquerda. Pedagoga por formação, militar por profissão, revisora por paixão. Fascinada por livros desde quando nem se entendia por gente.

6 comentários

  1. Olá, o livro é bem interessante por contar a origem desse ícone de popularidade carioca. Perfeito para ler comendo os biscoitos kkk. Beijos.

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  2. Que interessante essa obra!
    Bacana conhecer mais a história de um biscoito.
    Já fica anotado aqui, quando for ao Rio, sem dúvidas terei que provar esse biscoito haha
    Nunca tinha ouvido falar.
    Beijos,
    Caroline Garcia

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  3. Giulia!
    Não sou carioca, mas morei em São Paulo por mais de 12 anos e lá aprendi a gostar dos biscoitos de polvilho que saboreio até hoje aqui no nordeste.
    Aqui não tem essa marca Globo, mas só em poder conhecer um pouco da história de como o biscoito surgiu, etc, fiquei interessada pelo livro.
    Vou aproveitar e comer um biscoitinho de polvilho aqui...kkkk
    “Não basta saber, é preferível saber aplicar. Não é o bastante querer, é preciso saber querer.” (Johann Goethe)
    cheirinhos
    Rudy

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  4. Giulia, todo ano vou ao Rio mas nunca experimentei esse biscoito, já comi vários biscoitos de polvilho mas este, especialmente, não. E quando o produto é bom nem precisa de propagando, não é mesmo?
    Achei irônico ele ser criado em São Paulo mas ser o queridinho dos cariocas kk. E foi bem interessante ter um livro divulgando um produto amado por todos os cariocas.

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  5. Oi, Giulia!!
    Infelizmente não tive o prazer de provar esse biscoito!! Que é uma pena!! Mas gostaria de saber as curiosidades sobre ele como também com tudo começou!!
    Beijoss

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  6. Olá,

    sempre vejo as pessoas falando sobre esse biscoito, e tenho que confessar que aqui onde eu moro biscoito é algo bem diferente disso. Enfim, quem sabe um dia eu não prove o biscoito né? Mas, em relação ao livro, não é meu estilo de leitura.

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