O menino no alto da montanha - John Boyne

Resenha O menino no alto da montanha

Foto: Forquilhinha Notícias

Toda vez que eu olho para Pierrot, sei o que precisa ser feito. Ele é um menino completamente diferente daquele que veio morar aqui. Você também deve ter reparado.
Sabe aquele ditado “Quer conhecer uma pessoa? Dê poder a ela.”? Ou quando um jogador de futebol chuta uma bola, ela faz a curvatura e depois volta para o solo? PRONTO! Essas foram as duas impressões que tive com o novo livro de John Boyne, mesmo autor de o pijama do menino listrado O menino do pijama listrado.

Tive vontade de ler por dois motivos:
1) Adoro livros que envolvem fatos históricos;
2) Já tinha lido O menino do pijama listrado, gostei e fui naquela expectativa de ler.

Então vamos lá! O livro está dividido em três partes (1936; 1937-1941; 1942-1945) que são os anos que antecedem e ocorre a 2° Guerra Mundial e um epílogo (após a Guerra).

Pierrot Fischer é uma criança com 7 anos de idade que mora com os pais (Wilhelm e Émilie) e o seu cachorro D’Artagnan, em Paris. Seu melhor amigo Anshel é judeu e surdo. Ponto positivo nesse momento porque há uma ilustração com o sinal de como eles se comunicavam.

Resenha O menino no alto da montanha

Anshel atribuiu a Pierrot o sinal do cachorro, porque considerava seu amigo gentil e fiel; Pierrot adotou o sinal da raposa para Anshel, que era o mais inteligente da classe.
A relação entre os pais de Pierrot era um tanto conturbada. Wilhelm (alemão) já havia ido para a guerra e isso contribuiu para que se tornasse um homem violento, principalmente com Émilie (francesa). Então tudo era motivo de brigas, sem contar que o pai era alcoólatra.
Maman abriu os braços para ele, suplicando que se acalmasse, mas Papa a atacou, batendo no rosto dela e gritando palavras tão terríveis que Pierrot cobriu as orelhas e correu com D’Artagnan para o quarto e se escondeu no guarda-roupa.
Passado tempo, os pais de Pierrot morrem e ele é levado ao orfanato. Lá, por ser muito pequeno para a sua idade, tanto que seu apelido era Le Petit, ele era alvo de bullying. No entanto, a irmã do seu pai, tia Beatrix, acaba o levando para morar em uma mansão nas montanhas alemãs.
A vista à sua frente era estonteante. Não estava apenas no alto de uma montanha, estava em uma cordilheira, cada pico imenso chegando às nuvens.
Só que tem um detalhe, a tia de Pierrot é a governanta da casa de Adolf Hittler. Então começa a mudança de um menino francês para um alemão. Pierrot passa a se chamar Pieter, se vestir como alemão e esquecer os costumes que tinha em Paris e, principalmente, seu amigo judeu. Tudo isso para agradar o senhor de Berghof, o Führer.
Você nasceu na França, é verdade – ela disse. – E sua mãe era francesa. Mas seu pai era alemão. E isso faz de você alemão, entende? De agora em diante, é melhor não mencionar de onde veio.
Pierrot aos poucos se torna mais fiel ao Führer. O menino entra para a Juventude Alemã e a todo momento venera o seu líder. Então, ele que era doce e afável se tornou autoritário fofoqueiro, encrenqueiro e mandão. Sabe quando dizem “Você criou um monstro!”? Foi realmente o que aconteceu. Nessa parte, principalmente, no final da segunda e no início da terceira, acontece uma coisa PAM PAM PAM PAAM! (para o bem da nação... nada de spoiler!) que vai dando uma raiva dele. O menino mudou tanto que até o final da segunda parte o narrador chamava o menino de Pierrot, já na terceira parte ele ficou sendo chamado de Pieter.
Foi Pierrot quem se levantou da cama naquela manhã, mas foi Pieter quem se deitou à noite [...].
Confesso que li o livro com uma grande expectativa, mas no final da terceira parte/início do epílogo senti que faltou um “gás”, um tchan! Lógico que tenho que levar em consideração o público-alvo, né? Afinal, é um livro voltado para os jovens.

Tive dificuldade em associar a idade do personagem ao pensamento. Tinha partes no livro em que eu me perguntava “Quantos anos ele tem mesmo? Sete?”. Os pensamentos que ele tinha eram de uma pessoa muito experiente para a idade.
Então meu amigo disse que tinha uma história para contar; a história de um menino com o coração cheio de amor e decência, mas que acabou corrompido pelo poder.
Por fim, e não menos importante, deixa eu elogiar a capa. Como gosto de perceber a relação entre capa e história minhas expectativas foram correspondidas, mantendo a mesma fonte de outros livros de Boyne. A história possui uma linguagem bem acessível, e o papel pólen contribui para a leitura.

É bem rapidinho de ler, acho que vocês vão gostar.

Resenha O menino no alto da montanha

Foto: De livro em livro

O menino no alto da montanha - John Boyne
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223 páginas
Livro cedido pela editora
Onde comprar: Americanas | Saraiva | Amazon
Giulia Ladislau
26 anos. Filha do Rei. Carioca da gema. Aliança na mão esquerda. Pedagoga por formação, militar por profissão, revisora por paixão. Fascinada por livros desde quando nem se entendia por gente.

5 comentários

  1. eu adoro livros com essa proposta então esse ja esta na minha lista de futuras compras
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Não li ainda nenhum livro do autor. Mas sei do tremendo sucesso do livro " O Menino do Pijama Listrado".
    Fiquei com pena em quem o então garoto Pierrot se tornou...
    Sim,sei que conhecemos realmente quem são as pessoas, quando elas tem algum poder. Mas acredito que o ambiente em que cresceu,ajudou bastante na sua personalidade.

    Fiquei com vontade de ler o livro.

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  3. Oi Giulia,
    Eu amo de paixão O Menino do Pijama Listrado, que livro! Uma leitura angustiante do inicio ao fim, mas ao mesmo tempo tão pura...amei! Quando vi o lançamento de O Menino no Alto da Montanha, já surtei! Só o fato de ver essa capa já imaginei que era do autor, que bom que segue o mesmo padrão, e essa sinopse é para deixar qualquer um intrigado. Também gosto de livros que envolvem fatos históricos, ainda mais quando o cenário é da Segunda Guerra, e sendo que tem o Hittler então, leitura intensa com certeza!
    Beijos

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  4. Quero muito ler O Menino do Pijama Listrado, pois sei que vou adorar a história, porém, infelizmente, já sei o final! :( Como você, também gosto de livros que tenham fatos históricos. Gostei de o autor ter inserido um personagem surdo na história e de ter uma ilustração dos dois conversando por sinais. Achei interessante ver esses dois lados de Pierrot, o antes e o depois dele. Com certeza lerei!

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  5. Eu amei O menino do pijama listrado, Fique onde está e então corra e Tormento (que não é sobre guerra) também do autor, e estou louca para ler O Menino no alto da montanha, porém, deu pra perceber pela sua resenha que não traz tantas reflexões e emoções como os anteriores do autor. Uma pena.
    Mas ainda assim, fiquei curiosa para saber mais da relação dele com o Hitler, e como será seu final. Pelo jeito bem trite...
    bjss

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