O Diário Internacional de Babi - Chris Salles


Título: O Diário Internacional de Babi
Autor(a): Chris Salles
Editora: Outro Planeta
Nº de páginas: 298
Onde comprar: Submarino | Saraiva | Americanas | Fnac | Cultura
Nota:

Mudar nunca foi a palavra preferida de Bárbara. Porém, depois da separação dos pais, a garota de 15 anos se vê obrigada a migrar com a mãe e os irmãos para Orlando, a cidade americana onde os sonhos ganham vida. E descobre que a fronteira entre o real e o ilusório pode ser mais difícil do que parece.
“Como a terra do Mickey, o livro de Chris Salles é cheio de magia, pois nos transporta instantaneamente para a vida da Babi, a protagonista. Com o diário dela nas mãos, nos sentimos íntimos, como se ela fosse uma amiga querida que nos escolheu como confidentes. Através de suas experiências, ela nos mostra que a primeira imagem de uma pessoa pode enganar, que devemos ser mais receptivos, que processos de adaptação podem ser complicados, mas não duram para sempre. Acima de tudo, Babi nos ensina que a vida real também tem seus momentos de contos de fada. Basta a gente permitir que eles aconteçam. E, especialmente, nunca deixar de sonhar.” PAULA PIMENTA
Romance juvenil da carioca Chris Salles, autora que teve mais de 5 milhões de leituras na rede social de escritores Wattpad, tendo vendido dois prêmios Wattys 2015.

Separação dos pais já não é uma coisa muito boa, aí junta isso com uma mudança de cidade! É pacabá com a vida de qualquer adolescente, né? Se Babi quisesse se mudar, até que tava de boa, mas ela foi obrigada a sair do interior do Rio Grande do Sul para outro país. O destino? Orlando! A mãe escolheu a cidade porque os irmãos já moram lá há alguns anos e podem apoiá-la nessa nova fase. Lá vai Babi com a família rumo a uma nova fase, e como marco ela ganha da mãe um diário para registrar esses momentos de transição.

As coisas poderiam correr melhores se Babi soubesse falar inglês. Pois é, a menina vai pros EUA e sequer conseguirá se comunicar com as pessoas. Soma-se a isso o fato de ela ser tímida e estabanada. Começar tudo de novo numa cidade tão singular, com amigos novos, parentes distantes há muito não vistos, costumes diferentes... Será um desafio e tanto pra uma menina de quase 15 anos.

Ai, ai. Já estou me vendo no meio daquela americanada toda, sem saber quase nada de inglês e com a maior cara de tacho do mundo! Acho que vou seguir o conselho dos pinguins do Madagascar: "Apenas sorria e acene, sorria e acene...

Me identifiquei muito com a Babi por ter vivido algo parecido. Com 16 anos saí do Rio e fui morar em Juiz de Fora porque minha mãe casou e me obrigou a sair da minha cidade, mesmo tendo combinado comigo que se eu passasse na UFRJ ficaria estudando. Idades parecidas, situações familiares parecidas... Mas que diferença! Talvez minha experiência não tivesse sido tão traumática se eu tivesse ido pra pertinho da Disney ao invés de pra uma cidade do interior. Nada contra JF, só não tenho boas lembranças e não pretendo voltar a morar lá nunca.

Brincadeiras à parte, talvez se eu tivesse lido o livro naquela época meu ano teria sido diferente. A gente tem a tendência de torcer o nariz pro desconhecido e muitas vezes deixa de aproveitar as oportunidades que aparecem por um preconceito bobo. Não sei dizer se foi o meu caso, mas gostei de ver a experiência da Babi.

Acho que esse é justamente o problema das pessoas: a gente sempre rejeita o que é novo ou o que não entende com medo do que vai encontrar se explorar a fundo.

São muitas personagens no livro, o que a princípio causou uma confusãozinha básica até me adaptar com cada um, mas depois fluiu tranquilo. Aliás, de fluidez a Chris entende, porque o livro é gostoso de ler, daqueles que a gente pega e se perde no tempo, vai passando as páginas sem perceber. Babi é uma personagem carismática, que contagia, facilmente poderia ser uma amiga de escola. Duvido você ler, lembrar a sua adolescência e não se identificar com os dramas.

Além de trabalhar as mudanças grandes na vida de um adolescente, a autora também abordou o bullying na história, mais um livro pra trabalhar quão prejudicial é para qualquer pessoa esse tipo de atitude.

Se por um lado o formato diário é ótimo por nos permitir entrar a fundo nos sentimentos e pensamentos da protagonista, por outro é bem incômodo. Os autores não conseguem abandonar o vício do texto narrativo ao escrever um livro com essa configuração e exageram nos diálogos. Não tive paciência pra mais de 1 semana de relatos quando tentei ter os meus diários, mas lembro que não escrevia a fala toda, ainda mais com complementos do tipo "disse ela", "perguntou minha mãe". Cara, que adolescente escreve tão nos mínimos detalhes, inclusive com esses adendos pós-fala? Eu até engoliria se quisesse usar o discurso direto, mas não nesse nível. Pra mim não ficou crível.

A Planeta merece destaque pelo ótimo trabalho na parte gráfica. Os detalhes me ganharam! É aquela capa que você tem que olhar com atenção pra perceber a mensagem: um mapa da América, com uma ponte aérea do Brasil pros EUA ligada por corações. Na parte de trás, tem uma pulseira com pingentes (acho que a ideia era ser tipo de berloque, mas tem uma correntinha, então não pode ser) que os amigos dela dera, representando cada um deles. E a parte interna? Que lindeza! Os capítulos são iniciados por ilustrações diferentes, uma fofura!

Bem, mamãe me deu isso aqui para que eu pudesse desabafar. Ela disse que seria uma ótima forma de eu sair da concha que me escondo por causa da timidez. Além do mais, falou que eu adorava contar histórias para minhas bonecas e que com esse diário eu teria a chance de fazer o mesmo, mas com minhas próprias histórias. E é o que estou fazendo. Só espero que esta não seja a primeira e a última história.

Não, não é! Chris já está preparando O Diário Internacional de Babi 2, que inclusive está sendo postado no Wattpad. Se você ainda não sabe, foi lá que ela começou, explodiu e até ganhou o prêmio Watty 2015. Se quiserem ler, é só clicar aqui (lembrando que é a versão crua, sem editoração, revisão ou nada do tipo).

Uma história adolescente, de te fazer voltar no tempo enquanto não percebe o tempo passar. Vale a pena!
Giulia Ladislau
26 anos. Filha do Rei. Carioca da gema. Aliança na mão esquerda. Pedagoga por formação, militar por profissão, revisora por paixão. Fascinada por livros desde quando nem se entendia por gente.

7 comentários

  1. Achei a capa muito fofa e linda. A história me conquistou pois se trata de um diário de uma adolescente, gosto desse olhar mais jovem, já acompanhei aluns textos no wattpad e adorei

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  2. Oi,oi!! :)
    Sempre fui fã de livros voltados para os jovens.
    São histórias que em geral são diferentes das nossas,mas que uma coisinha aqui e outra ali,nos fazem recordar de sentimentos parecidos...
    Não passei pela mesma situação da personagem quando era jovem,mas fui uma adolescente estabanada e tímida. O que confesso me atrapalhou um bocado.
    E sim! Quero conhecer o diário de Babi.💛

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  3. Olha, vou ser sincera com você. Comecei a ler seu post meio desanimada, sabe quando a gente bate o olho em um livro e não dá nada por ele? Então, isso aconteceu. Mas ao ler sua resenha, não sei explicar ao certo o que aconteceu, mas mudei de ideia e achei o livro super interessante. Agora preciso saber como foi essa experiência para a personagem.
    Beijos

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  4. Eu já tinha achado a sinopse interessante deste livro e lendo a resenha percebi que ele trata de transições e de temas muito importantes e atuais que afetam os adolescentes como o bullying e achei uma ótima indicação ;)

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  5. Olá Giulia!
    Já me identifiquei com o livro logo no primeiro parágrafo da resenha hahaha Também vivi algo parecido, quando tinha 15 anos passei por essas mudanças de cidade, de colégio, fazer novos amigos, resumindo, todo o drama digno da idade hahaha. Quando tiver a oportunidade vou querer ler esse livro sim, e já sei que será um ótimo presente para uma prima que além de ser apaixonada por livros (assumo a culpa) esta nessa idade, sei que ela vai adorar a história.
    Beijos

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  6. Amo livros que são leves por fluírem rápido e você nem ver o tempo passar, mas que também tratam de assuntos importantes, como o bullying. Ainda mais sendo direcionado ao público pré-adolescente e adolescente, já que situações de descriminação e zombaria ocorrem em diversas escolas.
    Separação dos pais deve ser uma barra, minha prima passou por isso quando tinha 6 anos e até hoje esse assunto mexe muito com ela.
    A capa ta uma fofura, a editora arrasou ♥
    Beijos

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  7. Oi!
    Achei esse livro bem interessante, nós sempre temos tendencia a olhar o lado negativos das coisas, e com certeza para a situação da Babi mudando de país e ido para um que ela não conhece a língua, tem muitos pontos negativos, mas acho que diante das coisas devemos procurar o ponto positivo também, mas achei a historia bem legal e com certeza ajuda muitas pessoas que estão passado por essa fase e quem passou acaba se identificando !!

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