A vida como ela era - Susan Beth Pfeffer

Que a lua tem influência sobre a Terra todo mundo sabe. Mas você já parou pra pensar o que aconteceria se houvesse uma mudança drástica no nosso satélite? Em A vida como ela era, um meteoro colide com a lua e a empurra pra bem mais perto do planeta, transformando-a em um grande círculo no céu. Com isso, a atração gravitacional é alterada, e uma série de eventos naturais se desencadeiam - tsunamis, terremotos, vulcões, tornados... Com uma velocidade impressionante, muitas mortes são confirmadas. A luta pela sobrevivência só está começando.

Miranda é uma adolescente que costuma escrever no diário e não imagina que seus relatos iriam se transformar no registro do fim do mundo. Suas preocupações de escola e amizades rapidamente são substituídas por desespero pela garantia de comida. A mãe, prevendo a confusão que iria acontecer, fez um bom estoque de alimentos em casa. Os irmãos - um mais velho e outro mais novo - também precisaram mudar a rotina. Ainda havia a preocupação com o pai e a madrasta, grávida de poucos meses.

Só eu finjo que a Terra não está desmoronando ao meu redor, pois não quero que isso esteja acontecendo. Não quero saber que houve um terremoto no Missouri. Também não quero saber que o meio-oeste pode sumir nem que estão acontecendo coisas além de maremotos e tsunamis. Não quero ter mais nada a temer.
Não comecei a escrever este diário para que ele seja um registro do nosso fim.

O mundo já não é mais o mesmo, logo as pessoas já não podem ser mais as mesmas. Pra (sobre)viver, será preciso disposição, estratégia e um pouquinho de sorte. Vamos acompanhar a vida dos últimos sobreviventes.

Literatura não é só diversão, não! Aprendi muito de geografia nessa leitura aí. Já sabia sobre as marés, mas nunca tinha parado pra pensar na questão dos terremotos, vulcões e tudo o mais. Voltei ao meu tempo de escola relembrando os conceitos e encaixando à história.

Sei que ele me considera uma pessoa de sorte por não ter sido "afetada" por tudo o que aconteceu. E sei que é mesquinho pensar de outro modo. Mas imagino se o horror de saber que alguém que você ama morreu é pior que o desgaste diário de estar vivo.

O livro é tensão desde o começo, me fisgou já nas primeiras páginas, aquela coisa de não querer parar de ler, bater a curiosidade de saber o que mais iria acontecer e como a família de Miranda ia se virar. Susan soube desenvolver a história na medida certa, sem enrolar ou apressar demais os fatos, introduzindo vários picos de tensão durante a narrativa.

Maaaas, apesar de me viciar, a opção pelo formato de diário não me agradou. Toda hora Miranda faz questão de ressaltar que está escrevendo, seja não completando um relato porque acabou a luz, seja comemorando porque encontrou cadernos e canetas, seja refletindo que não imaginava que seu diário poderia ser o registro do que passou sua família no que poderiam ser os últimos dias. Diálogos inteiros reproduzidos, comentários no meio de uma fala, construções nem um pouco naturais pra uma conversa entre família, escrita que não parece de uma adolescente de 16 anos... Eu teria achado perfeito se fosse uma narrativa em primeira pessoa, mas assim me incomodou MUITO!

Apesar disso, na maior parte do tempo consegui ignorar essa agoniazinha e mergulhar de cabeça na realidade de uma possível mudança nas condições climáticas do mundo. Em vários momentos me peguei pensando como eu reagiria se isso acontecesse de verdade e o primeiro pensamento foi que eu estaria morta, já que moro numa cidade litorânea e teria me afogado no primeiro sinal de mudança: os tsunamis e fiquei aflita porque provavelmente não iria aguentar uma refeição, de má qualidade, por dia. Fora que provavelmente meu psicológico estaria mega abalado pra enfrentar tamanhas provações e privações.

Será que as pessoas percebem quanto a vida é preciosa? Sei que nunca percebi isso antes. Sempre havia tempo. Sempre havia um futuro.
Talvez por não saber mais se terei um futuro, fico grata pelas coisas boas que aconteceram comigo neste ano.
Eu nunca soube que poderia amar de modo tão profundo. Nunca soube que estaria disposta a sacrificar coisas por outras pessoas. Nunca soube que o gosto do suco de abacaxi poderia ser maravilhoso, assim como o calor de um fogão a lenha.

Depois que passou o momento desespero, cheguei à conclusão de que eu deveria ser como Miranda e valorizar as pequenas coisas por não saber o dia de amanhã, ainda que não haja nenhuma ameaça iminente. Foram muitos momentos de agradecimento, até por uma refeição super simples. Olha a literatura indo além da diversão de novo.

A série é composta por 4 livros, sendo que no próximo vão aparecer novos personagens que lá na frente irão se cruzar com o núcleo de Miranda. Ainda bem que o 2 já saiu por aqui, pra eu não ter que ficar louca esperando.

Mesmo que não seja o seu estilo, vale muito a pena dar uma chance a esse livro. Uma ficção científica que poderia ser real e que eu não descarto a chance de acontecer. Vem ler!

Será que minhas lágrimas seriam cinza caso eu chorasse?


A vida como ela era (Os Últimos Sobreviventes #1) - Susan Beth Pfeffer
Bertrand Brasil
378 páginas
Livro cedido pela editora
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Giulia Ladislau
26 anos. Filha do Rei. Carioca da gema. Aliança na mão esquerda. Pedagoga por formação, militar por profissão, revisora por paixão. Fascinada por livros desde quando nem se entendia por gente.

6 comentários

  1. Fiquei aqui imaginando se algo assim acontecesse na vida real...No mínimo é desesperador!
    Quanto ao livro,achei genial essa ideia de nos informar sobre todos os fatos,através dos relatos de uma garota em seu diário.
    Para quem gosta de ficção científica, esse livro promete uma boa leitura,e para quem não curte tanto assim,é uma forma de dar uma oportunidade de conhecer um gênero diferente.

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  2. A sinopse e a resenha me fizeram pensar sobre as fragilidades de um acontecimento como o do livro, o meteoro colide com a lua e a vida como conhecemos se altera, a história parece ser bem interessante e digna de roteiro de série e eu iria gostar muito de ver na telinha. O que me deixou receosa sobre a leitura é a forma como a história é exposta, diário?!, só imagino o quanto isso iria afetar a minha leitura, temo que essa narrativa se assemelhe a de cartas, tentei ler um livro assim e apesar da história ser boa, não consegui me envolver e o incomodo me fez abandonar a história, mas o livro parece promissor e vou pensar se devo lê-lo ;)

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  3. adorei a resenha, foi a segunda que li sobre o livro :) e posso dizer que fiquei com muita vontade de ler. Só estou pensando por ser uma série. Não gosto muito de séries pois depois fico com vontade de ler tudo de uma vez

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  4. Oi Giulia,
    Adorei a premissa do livro e apesar de ser o primeiro volume da série parece ser uma trama bem construída. Um livro que aborda um desastre natural já chama a minha atenção na hora, amo livros que trazem mensagens de reflexão e essa promete ser bem intensa e emocionante. Com certeza essa leitura faz a gente valorizar e agradecer coisas simples do dia a dia. Já está devidamente anotado na lista de desejados.
    Amo as capas originais dessa série, são lindas!
    Beijos

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  5. A capa é bem bonito e o estilo da história o meu preferido! Amo livros distópicos ou que tratam de fim do mundo, a forma diversa como os autores enxergam esse possível acontecimento me encanta.
    Tenho a mesma idade da protagonista e não imagino como eu passaria por algo assim. Mudar de preocupações com escola para preocupações com sobrevivência, escassez de alimentos etc deve ser uma mudança radical e horrível!
    Muito legal o livro trazer conhecimentos de geografia, literatura é isso... Aprendizado e diversão!
    Beijos

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  6. Oi!
    Geralmente não gosto de livros muito tensos mas esse despertou minha curiosidade, achei bem interessante temos uma distopia na qual o motivo de tudo e a lua, também achei legal as informações que o livro trás sobre ela, tirando as marés também não sabia onde mais ela interferia, parece ser uma historia bem apreensiva, me deixando curiosa para poder ler !!

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