Adeus, por enquanto - Laurie Frankel


Título: Adeus, por enquanto
Autor(a): Laurie Frankel
Editora: Paralela
Nº de páginas: 320
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Nota:

A talentosa autora de Atlas do amor inova em seu segundo romance, no qual conta a história do jovem casal que estendeu seu amor para além dos limites da vida. Não é milagre e nem magia, é pura ciência da computação. Graças ao software que Sam Elling, um divertido programador do MIT, desenvolve, torna-se possível conversar com projeções perfeitas de pessoas queridas que morreram. Assim, ele ajuda sua namorada a superar a perda recente da avó, mas não esperava que um dia fosse precisar se tornar usuário de seu próprio programa...

Um cara nerd, MUITO nerd, que manja muito de ciência de computação e trabalha numa empresa de relacionamentos cria um software perfeito que cruza todas as informações das pessoas e as junta em casais ideais. Foi assim que Sam conheceu Meredith, uma funcionária da mesma empresa que nunca iria cruzar o seu caminho se não fosse por isso.

"Alma gêmea. cc quer um algoritmo que descubra sua alma gêmea. Portanto, recorro a vocês. O amor é uma coisa complicada. Todas aquelas variáveis humanas. A alma não é lógica. O coração quer o que o coração quer. Difícil identificar. Difícil quantificar e programar. Mas somos programadores, esse é nosso trabalho. Então precisamos conseguir. Digam-me como.
[...]
Sam mesclou as tradições ancestrais dos casamenteiros com as verdades que os usuários revelavam mas não admitiam sobre si mesmos, combinadas ao poder dos processadores de dados modernos, e fez o algoritmo que mudou o mundo dos encontros. Decifrou o coração.

Como o software previu, eles foram feitos um para o outro, e suas vidas mudam de rumo depois que se encontram e começam a namorar. A felicidade é companhia presente entre eles, mesmo que Sam tenha sido demitido por criar um programa que dê certo demais pros interesses capitalistas da empresa.

Tudo vai bem até que a avó de Merde morre. Sam não aguenta mais ver sua namorada triste, já que era muito ligada à avó, e cria outro programa revolucionário, capaz de compilar todas as informações virtuais do ente querido falecido e fazer com que ele "ganhe vida" virtualmente. É possível trocar e-mails e até conversar por vídeo graças a esse software.

E é aí que o livro começa a ficar interessante. Sam pensou em Merde quando criou o DeadMail, mas Dash, o primo dela, quer estender a outras pessoas enlutadas, e assim surge Repose. Como a sociedade vai reagir com essa novidade? Como a igreja e outros grupos religiosos vai encarar essa "volta dos mortos"? Como é o processo de superação do luto de cada um? E a pergunta mais difícil de ser respondida: como deixar de ser o programador e passar a ser usuário?

"Não quero dizer adeus."
"Não adeus para sempre", disse Sam. "Adeus por enquanto."

Gostei e não gostei. No começo eu fiquei meio assim, preguicinha, com vontade de abandonar. Cheguei a intercalar esse com outros livros pra não desistir de vez, mas era só uma questão de paciência. A autora contou tuuuuudo desde quando ele era só um nerd sozinho, passando pela criação do programa e pelo começo do relacionamento até chegar finalmente ao uso do Repose. Foi meio longo demais, sabe? Só ficou legal mesmo do meio pra lá, quando não consegui mais largar o livro.

Merde e Sam são um casal bem legal, diferente daqueles com que estamos acostumados, porque ambos são "apagadinhos", nenhum deles é aquele pra quem todos olham. São duas pessoas comuns que se descobrem e encontram no outro o grande amor da vida. Dois amantes que dividem uma rotina de conversas, brigas, planos e vontade de agradar.

Laurie questiona o real x virtual, um assunto tão atual e desafiador. Usar o tema morte como plano de fundo foi uma maneira inteligente e ácida de mostrar que nem sempre estar perto significa estar próximo. Ela usou alguns relacionamentos virtuais como ponte para os reais, e os reais como parede. Ao mesmo tempo que é uma crítica, nos conduz à reflexão.

Todo mundo passa a maior parte do tempo com amigos virtuais hoje em dia. Todo mundo passa mais tempo no Facebook do que com pessoas, mais tempo clicando em perfis do que saindo, mais tempo jogando tênis no videogame do que tênis de verdade, e tocando guitarra no videogame do que guitarra de verdade. As redes sociais não são tão sociais assim. Na verdade, é isolamento. Na verdade, é ficar sozinho. Então ao menos eu não sou assim, certo? Ao menos eu tenho você."

O luto é outro assunto abordado, principalmente as maneiras como cada um o encara. É um momento que expõe a fragilidade do ser humano, mas também pode suscitar a indiferença, a raiva e outros sentimentos ruins. Como lidar com isso? Como superar? Será que se realmente houvesse um Repose nós conseguiríamos passar pelo luto de uma maneira mais suave? Bora pensar.

Você esquece a parte que está aí desde os tempos imemoriais. Amor, morte, perda. Você se deparou com eles. E não há como contorná-los. Você para e constrói sua vida ali aos pés da parede. Mas tudo bem. É onde todo mundo está também. Todo mundo está ali, ou indo para lá. Não tem outro lado, mas tem bastante espaço ali para construir uma vida, e bastante companhia. Bem-vindo à parede, Sam."

A Paralela acertou ao escolher a capa original do Paperback, fazendo algumas pequenas alterações. Ela é simples, mas bem conceitual e significativa. O trabalho de revisão e diagramação também ficaram bons, marca da editora.

A ideia foi boa, os personagens foram bem construídos, o livro poderia ter sido menor, mais direto, mas mesmo assim não foi uma leitura ruim. Também não foi nada que marcou a minha vida. Como Atlas do Amor, é aquele livro gostosinho de ler, que proporciona umas boas risadas e momentos de distração.
Giulia Ladislau
26 anos. Filha do Rei. Carioca da gema. Aliança na mão esquerda. Pedagoga por formação, militar por profissão, revisora por paixão. Fascinada por livros desde quando nem se entendia por gente.

6 comentários

  1. Eu já visto esse livro antes, mas nunca me interessei pra saber sobre o que ele se tratava.
    Achei bem criativa a forma com a autora abordou a questão do luto, pois só quem já passou por isso dabe o quanto é difícil, além de nos fazer questionar sobre o real e o virtual, como você mesmo citou.
    Acho que apesar da leitura ser um pouco arrastada, acho que ela é válida, principalmente pra passar o tempo.
    Beijo *-*

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  2. Oi, Giulia!
    Gostei bastante da dica de leitura de hoje. O livro mostra ser muito bom, principalmente por não envolver somente o romance na trama, mas também diversos questionamentos sobre o luto e a morte. Sempre gostei de narrativas que vão além de um simples romance, e este será uma ótima leitura que sei que irei gostar, por isso irei buscar em breve para ler.
    Bjs!

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  3. Que isso, livro favorito pra ler e reler. Que história incrível! Adorei a ideia e a autora soube fazer um ótimo trabalho com a escrita. Mesmo que possa ter uma enrolação ali no meio, achei bom. É bonito os temas que ela retrata, o luto, a ideia de poder se despedir daqueles que na vida real não puderam....gostei bastante. Tem um tom emocional intenso. Vale a pena ler.

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  4. Oi Giulia!
    Achei o enredo fofo e bem gostosinho, mais fiquei meio em duvida de ler depois que você disse que quase desistiu, eu acabaria desistindo mesmo.
    Bjs

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  5. Olá Giulia,
    Não conhecia esse livro, mas fiquei muito interessada em ler por ser uma história bem original e envolvente. Gostei da forma como a autora abordou a questão do luto, e também por trazer reflexões quanto aos relacionamentos virtuais, achei bem válido e criativo. Apesar de ser uma leitura um pouco cansativa no inicio, com certeza vale a pena dar uma chance. Obrigada pela dica!
    Beijos

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  6. Oi,
    Gostei dessa história real x virtual. Os softwares são bem interessantes e bem que poderiam existir de verdade, rs. O luto é um tema complicado, né? Só que já passou por um sabe como é. Já passei por um pesado, há 3 anos, e sei como é difícil, o luto parece que não acaba nunca, você sempre vai sentir falta, enfim, gostei do livro.

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