Beleza Perdida - Amy Harmon


Título: Beleza Perdida
Autor(a): Amy Harmon
Editora: Verus
Nº de páginas: 336
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Nota:

Ambrose Young é lindo — alto e musculoso, com cabelos que chegam aos ombros e olhos penetrantes. O tipo de beleza que poderia figurar na capa de um romance, e Fern Taylor saberia, pois devora esse tipo de livro desde os treze anos. Mas, por ele ser tão bonito, Fern nunca imaginou que poderia ter Ambrose… até tudo na vida dele mudar.

Beleza perdida é a história de uma cidadezinha onde cinco jovens vão para a guerra e apenas um retorna. É uma história sobre perdas — perda coletiva, perda individual, perda da beleza, perda de vidas, perda de identidade, mas também ganhos incalculáveis. É um conto sobre o amor inabalável de uma garota por um guerreiro ferido.

Este é um livro profundo e emocionante sobre a amizade que supera a tristeza, sobre o heroísmo que desafia as definições comuns, além de uma releitura moderna de A Bela e a Fera, que nos faz descobrir que há tanto beleza quanto ferocidade em todos nós.

Hoje começamos mais uma semana especial aqui no blog. Dessa vez o tema é Releituras, e eu precisava começar com a resenha desse livro que virou favorito, me fez chorar e colocou sentimentos paradoxais no meu coração.

Fern é uma menina comum. Cabelos vermelhos, óculos grossos, aparelho nos dentes e corpo de criança não são uma combinação que atrai hormônios masculinos adolescentes. Por isso, passou toda a sua vida ao lado do primo e grande amigo Bailey. A distrofia ataca seus músculos e o impede de fazer muitas coisas, mas não afeta em nada sua inteligência e bom humor. Eles são companheiros inseparáveis desde a barriga e cuidam um do outro sempre.

Na mesma escola estuda Ambrose, aquele garoto popular, admirado por toda a cidade e desejado por todas as garotas. Alto, bonito, musculoso, lutador, o tipo de cara que arranca suspiros por onde passa. Mesmo com vaga certa na universidade, ele decide dar um tempo e servir no Iraque pós-11/09 e acaba convencendo os 4 melhores amigos a irem juntos. Só que não acontece exatamente como eles esperavam. Uma bomba acaba com a vida dos amigos e com a aparência de Ambrose. Metade do seu rosto está tomada por cicatrizes, que nem de longe lembram o antigo galã.

Como encarar tamanha mudança? Como lidar com a culpa e o medo constantes? E mais... como enxergar a própria felicidade?
Ambrose e Fern precisam lidar com os próprios receios, vencer os obstáculos que se autoimpuseram e descobrir que o amor não depende de aparências.

- Todo mundo é protagonista para alguém. Não existem personagens secundários.

Se falar pra mim que tem A Bela e a Fera no meio, vou querer ler sem pestanejar. Mas quando mistura com uma história substancial, com muitos assuntos a serem discutidos, meu coração não aguenta. Fern tem mais de Bela do que a própria beleza, ela também é amante dos livros e enxerga além das aparências. Ambrose precisou ser destituído de seu rosto perfeito e passar por um processo de isolamento pra entender que as pessoas são mais do que rostos e corpos.

Beleza Perdida é narrado em terceira pessoa e alterna o presente com algumas cenas do passado, perfeitamente encaixadas no desenrolar dos fatos para nos fazer entender tudo. Os títulos dos capítulos a princípio parecem esquisitos, mas chega uma parte em que eles ganham sentido e a vontade é de voltar a recomeçar a leitura pra ter o entendimento correto de cada um deles.

O romance é bastante presente, mas ouso dizer que não é o foco. Aliás, a carga emocional é tão grande que talvez o romance tenha sido apenas um dos vários possíveis caminhos para Fern e Ambrose, mas com certeza foi o melhor deles. Aceitação, mudança, culpa, luto, ideais, são tantos os sentimentos que os personagens vivem que não dá pra dizer que o livro é sobre um tema específico.

Ambrose não queria ser um alívio temporário. Queria ser a cura.

Colocar o 11 de setembro como pano de fundo me aproximou ainda mais das emoções dos personagens. Revivi toda aquela confusão da mídia, toda a angústia, tristeza e sentimento de impotência que tanto marcaram os meus 11 anos. Se pra mim, a quilômetros de distância, aquela data marcou e doeu, imagina pra quem estava próximo.

Fern Taylor amava Ambrose Young; amava-o desde que tinha dez anos e ouvira a voz dele se erguer em um tipo muito diferente de música; porém agora ele alcançava um nível inteiramente novo de beleza, e Fern estava admirada e inebriada que um garoto pudesse ter recebido tanto da natureza.

Fern foi uma personagem com a qual me identifiquei muito, principalmente nas partes de focar nos estudos, não aceitar a própria aparência e enxergar o que as pessoas são por dentro. E não são todas as histórias que conseguem me transportar pra dentro dela; nessa, por esse e outros motivos, eu até chorei (5º livro da lista).

Se Deus faz todos os rosto, Ele riu quando me fez?
Ele faz pernas que não podem andar e olhos que não podem ver?
Ondula os cabelos na minha cabeça numa rebelde insensatez?
Fecha os ouvidos do surdo para que ele precise depender?
Minha aparência é coincidência ou ironia do destino?
Se Ele me fez assim, posso culpá-Lo pelo que odeio?
Pelos defeitos que parecem piorar a cada vez que olho no espelho,
Pela feiura que vejo em mim, pelo ódio e pelo medo.
Ele nos esculpe para o Seu prazer, por uma razão que não posso ver?
Se Deus faz todos os rostos, Ele riu quado me fez?

Além de Fern e Ambrose, há um personagem secundário especialíssimo. Bailey foi a grande surpresa da história, com sua limitação física devida à distrofia muscular e sua maturidade tão gritante. Um apaixonado pela vida, um incentivador nato, um coração fantástico. Bailey foi o complemento perfeito à história e aos personagens, sem ele não teria o mesmo impacto.

Há muitos questionamentos sobre a vida, o propósito de existirmos. A autora usa eufemismos sobre a morte, que causam um efeito contrário - ao invés de amenizar, evidenciam tudo aquilo que foi perdido. Vivi o luto e as reflexões dos personagens e fiquei sozinha pensando nisso também.

Nos agradecimentos, entendemos por que o livro é tão emocionante. Ele tem um pouquinho de cada coisa da vida da autora, pessoas e elementos importantes em sua trajetória que foram pessoal e envolventemente emprestados ao livro. Não tem como a gente doar parte de si mesma e ter um resultado diferente de amor. A história também tem uma base cristã, bem sutil, mas presente no personagem pai de Fern, que é pastor, nos versículos citados, na forma como encara o luto.

Dá pra ler de uma vez, sem pausas, mas preferi degustar em pequenas doses pra poder refletir entre elas e me aproximar ainda mais dos personagens. Então, fica a dica: não leia correndo. Não leia só pra passar tempo. Não leia despreparado. Beleza Perdida é um convite à reflexão e à emoção. E prepare os lenços, é emocionante do início ao fim.

Giulia Ladislau
26 anos. Filha do Rei. Carioca da gema. Aliança na mão esquerda. Pedagoga por formação, militar por profissão, revisora por paixão. Fascinada por livros desde quando nem se entendia por gente.

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