Uma semana para se perder - Tessa Dare

Esta resenha NÃO contém spoilers do primeiro livro da série.
Uma Noite para se Entregar



Título: Uma semana para se perder (Spindle Cove #2)
Autor(a): Tessa Dare
Editora: Gutenberg
Nº de páginas: 288
Onde comprar: Submarino | Saraiva | Americanas | Casas Bahia
Nota:

O que pode acontecer quando um canalha decide acompanhar uma mulher inteligente em uma viagem? A bela e inteligente geóloga Minerva Highwood, uma das solteiras convictas de Spindle Cove, precisa ir à Escócia para apresentar uma grande descoberta em um importante simpósio. Mas para que isso aconteça, ela precisará encontrar alguém que a leve. Colin Sandhurst Payne, o Lorde Payne, um libertino de primeira, quer estar em qualquer lugar – menos em Spindle Cove. Minerva decide, então, que ele é a pessoa ideal para embarcar com ela em sua aventura. Mas como uma mulher solteira poderia viajar acompanhada por um homem sem reputação? Esses parceiros improváveis têm uma semana para convencer suas famílias de que estão apaixonados, forjar uma fuga, correr de bandidos armados, sobreviver aos seus piores pesadelos e viajar 400 milhas sem se matar. Tudo isso dividindo uma pequena carruagem de dia e compartilhando uma cama menor ainda à noite. Mas durante essa conturbada convivência, Colin revela um caráter muito mais profundo que seu exterior jovial, e Minerva prova que a concha em que vive esconde uma bela e brilhante alma. Talvez uma semana seja tempo suficiente para encontrarem um mundo de problemas. Ou, quem sabe, um amor eterno.

Minerva é a irmã do meio, a patinho feio. Sua família foi a Spindle Cove buscando melhorar a saúde de Diana, a mais velha, aproveitando pra ver se dá um jeito em Minerva. Mas, quando a milícia do coronel Bramwell chegou à vila, a matriarca já ficou de olho num possível casamento com Colin, o primo visconde. Todos os esforços são no sentido de aproximá-lo de Diana para que ela o fisgue, mas ele é um mulherengo com suas próprias regras: nada de casamento, diversão só com viúvas, virgens nem pensar.

Desde o primeiro livro, Colin mostra que criou uma casca pra se proteger - até dele mesmo. Carregando sofrimentos e traumas familiares, ele é sozinho no mundo, dependendo do primo para tudo, já que só poderá desfrutar da herança após completar a maioridade. Seus planos são continuar aproveitando a vida com o dinheiro, bebendo e pagando mulheres pra lhe fazer companhia, mas até lá precisa continuar em Spindle Cove sob a tutela de Bram.

Aí que entra Minerva. Ela é uma geóloga inteligente e estudiosíssima, sempre com a cara enfiada nos livros. Na infância demoraram a perceber que ela tinha problema de visão, mas desde que começou a usar óculos só quer saber de ler. E nesse novo local ela tem a oportunidade de estudar novas pedras e fazer uma grande descoberta numa caverna subaquática: a pegada de um animal pré-histórico. Há tempos ela contribui para a Sociedade Geológica Real, com artigos assinados apenas as iniciais para camuflar sua identidade feminina, mas agora foi convidada a participar de um simpósio para mostrar sua descoberta. Só que é na Escócia, e ela não pode ir sozinha.

Ela era uma cientista. E tinha uma caverna. Enquanto ele era um aristocrata sem objetivos que tinha... nada.

Agora vamos juntar as 2 situações... Minerva não quer que Diana se case, então precisa afastá-la de Colin. Ela também precisa de um acompanhante para a viagem. E, se ganhar o prêmio do simpósio, irá repassá-lo a Colin, que não mais dependerá do primo. Essa é a proposta ousada de Minerva: eles iriam viajar simulando uma fuga para casamento (na Escócia não é preciso papéis, apenas testemunhas, então era o destino mais procurado por casais apaixonados que não podiam assumir o relacionamento), ela apresentaria seus estudos e ganharia o prêmio, e ele ficaria libre da tutela de Bram. Perfeito, né? Só que não.

O período de viagem será mais complicado do que eles imaginavam. Quase desistência, mentiras, fugas, falta de dinheiro e roupas, condições climáticas, são vários os empecilhos que eles terão de enfrentar. E cada um fará com que se aproximem mais do outro e despertem sentimentos que ambos pensavam que nunca sentiriam.

"Se eu quisesse", murmurou ele, puxando-a para perto e fazendo-a erguer o rosto, "eu convenceria todo mundo de que a razão verdadeira pela qual fiquei em Spindle Cove - meses além do que eu poderia aguentar - não tem anda a ver com meu primo ou minhas finanças." A voz dele ficou rouca. "Foi simplesmente você, Minerva." Ele acariciou o rosto dela, tão suavemente que fez seu coração doer. "Sempre foi você."

Assim que Minerva apareceu pela primeira vez, já sabia que seria uma personagem maravilhosa. Quando vi que o segundo livro seria com ela, aí que meu coração deu pulinhos de alegria. E Tessa Dare entrou pra lista de autoras que caraca, eu preciso ler tudo que essa mulher escreve!. Ela encaixou muito bem questões importantes sobre o feminismo em uma história fácil e gostosa de ler, num gênero que agrada a muitas mulheres. Em Uma noite para se entregar temos contato com o tema "sororidade". Agora as questões continuam falando sobre a mulher, mas de maneiras diferentes. E sempre com o romance como pano de fundo, porque é uma ótima estratégia pra atrair leitoras e passar a mensagem. ;)

Minerva precisa se esconder atrás de letras pra disfarçar seu gênero, afinal mulheres não eram bem recebidas e sequer consideradas em questões acadêmicas. Enquanto fazia todo o trabalho a distância, enviando por correspondência, foi aceita, mas dá pra imaginar o choque dos membros da Sociedade se descobrissem quem era M. R. Highwood. E não precisa ir longe, basta pensar que J.K. Rowling assinou seus livros assim porque o mercado recebia melhor autores homens.

Outra questão é a supervalorização da aparência em detrimento da inteligência. Até para a própria mãe, Minerva não tem jeito, já que o cabelo é feio, não tem beleza e ainda piora com os óculos. Não importa se ela entende muito de rochas, aliás, nem imagina que a filha é membro de uma Sociedade importante ou que ela fez uma descoberta que pode mudar a ciência da época, tudo gira em torno de ser aceita na sociedade e encontrar um homem que a torne mais "respeitável".

Ela nunca foi a filha que sua mãe desejava. Ela era diferente das irmãs, e havia se conformado com isso. Ela poderia suportar uma vida em que nunca seria uma dama elegante, de bom gosto... desde que alguém, em algum lugar, a respeitasse e admirasse por ser ela mesma. Minerva Highwood, geóloga, erudita e... depois daquela noite, às vezes trovadora.

Contrapondo, Tessa também mostra que, estando bem consigo mesma, é fácil abrir mão de vontades e ignorar a opinião alheia. O que mais gosto nos romances de época com mocinhas bem fortes é que, apesar de feministas e "anti-homem", elas entendem que podem sim viver um romance e ser feliz. Porque a luta não é contra o homem em si, mas sim contra seu posicionamento em relação à mulher. No fundo, o que importa mesmo é a própria felicidade, ela vindo de um relacionamento ou de uma realização, com marido ou sem.

"Impossível? Por que é impossível que um homem se apaixone por uma garota improvável? Talvez Minerva não seja a garota mais bonita do local, mas pode ser que Lorde Payne tenha visto beleza em sua mente curiosa, ou em seu espírito independente. Será que é mesmo tão impossível que uma garota imperfeita seja perfeitamente amada?

Já falei muito da Minerva, mas Colin também merece destaque. Ele parecia um garoto mimado com problemas esquisitos, mas bastou conhecê-lo mais a fundo pra entender melhor suas atitudes. Ele também amadureceu muito nessa semana de viagem, mudou alguns pontos de vista e se mostrou mais frágil, causando em mim solidariedade e torcida pra que ele seja feliz.

O romance é bem mais sutil, demora a ser construído e justamente por isso é fácil de acreditar. Eles já convivem há meses, a rixa é antiga, e agora têm a oportunidade de ir além das aparências. As dificuldades que enfrentam durante a viagem são ao mesmo tempo martelinho pra quebrar a casca e cola pra juntar os corações. Demora pra ter cenas hot, mas me vi tão envolvida com a história que nem senti falta.

Susanna e Bram quase não aparecem, já que eles se mudaram para Londres e grande parte do livro se dá durante a viagem. Tomara que eles apareçam em A dama da meia-noite, que aliás tem tudo pra ser ótimo com 2 personagens que já apareceram bastante e têm tudo pra serem um ótimo casal.

Em resumo... corre pra ler, pessoa! Te garanto que vai valer a pena. ;)
Giulia Ladislau
26 anos. Filha do Rei. Carioca da gema. Aliança na mão esquerda. Pedagoga por formação, militar por profissão, revisora por paixão. Fascinada por livros desde quando nem se entendia por gente.

Um comentário

  1. Oi, Giu!
    Adoro romances de época, principalmente quando há uma personagem corajosa, engraçada e à frente de seu tempo! É diversão garantida!
    Adorei a resenha e as quotes!

    Beijos!
    Fabi Carvalhais
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