{ na plateia } 5 Homens e um Segredo

Desde o início dos tempos uma pergunta assombra os homens: “tamanho é documento”? Para pânico geral da nação masculina, a resposta ainda parece ser sim. Apontado como um dos principais diretores de comédias do teatro nacional, Alexandre Reinecke se une a um escritor também consagrado no gênero, Aloisio de Abreu, em ‘Cinco homens e um segredo’, uma versão brasileira de ‘The irish curse’, de Martin Casella. Edwin Luisi, Oscar Magrini, Roberto Pirillo, Carlos Bonow e Iran Malfitano vivem os personagens- título do espetáculo.

No último sábado fui com meu marido assistir a essa peça sem saber muito o que esperar. Sempre que é comédia, eu fico com o pé atrás porque sou chata com humor, não gosto de piadas prontas ou forçadas, não rio de besteirol. Mas dessa vez fiquei muito surpresa, principalmente porque fui sem nem ler a sinopse. Só pelo elenco já fiquei curiosa, afinal são 5 rostos bastante conhecidos, e foi isso que me motivou a ir ao teatro.

A peça inteira se passa no interior de uma igreja, onde há um grupo de autoajuda para tratar de um tema nem um pouco comum: pênis pequeno. Sob mediação do padre, três homens se reúnem semanalmente para falar abertamente sobre seu problema sua situação, expondo os dramas que já viveram na infância e nos relacionamentos. Naquele dia contavam com a visita de Mário e, para ajudá-lo a se desinibir, contaram suas histórias.

Iran Malfitano vive um professor de educação física que se gaba por ser cantado por diversas mulheres na rua e não demonstra se preocupar com a atuação na cama. Edwin Luisi é um advogado abandonado pela ex-esposa, que o trocou por um homem bem-dotado. Oscar Magrini nos mata de rir no papel de um delegado gay que só dá prazer, mas se recusa a receber. Roberto Pirillo dá vida ao padre que optou pela vida religiosa para fugir de possíveis constrangimentos. E Carlos Bonow é um gerente que irá casar no próximo fim de semana e morre de medo do sexo porque ainda é virgem.

Embora eles interajam o tempo todo, cada um tem seu momento de destaque quando começa a dar o depoimento, e nessa hora eles brilham, cada um à sua maneira. Oscar ficou bem engraçado fazendo um gay, e o Iran também não deixou a desejar com o típico cara que conta vantagem em tudo.

Essa é uma adaptação de "The Irish Curse", que estreou em 2005 em Nova York. De lá pra cá já passou por outras partes dos EUA, além de Edimburgo, Dublin, Londres e Eslováquia. Agora foi adaptada para o Brasil, mais especificamente para a realidade carioca. E nisso a gente pode ver que homem é mesmo tudo igual, só muda de endereço.

Não sou homem pra saber como essa questão é importante pra eles, só imagino pelos comentários que sempre acontecem. Se tamanho é documento ou não, não sei, mas certamente isso afeta a virilidade masculina - ou no mínimo seus psicológicos não muito seguros. E é colocando pra fora, encarando a realidade tal qual ela é e relevando segredos há muito tempo guardados que eles aprendem a lidar com seus medos e inseguranças.

A peça é recheada de estereótipo, e confesso que fiquei um pouco incomodada em algumas partes por mais que estivessem retratando a realidade. Usar "gorda" e "feia" como xingamento me afetou, até porque a a peça de uma forma bem-humorada passa a mensagem de que o homem não é definido/limitado pelos centímetros de órgão sexual. No entanto, é uma forma de questionar e botar a galera pra pensar.

Tem muito palavrão, então se você não gostar de vocabulário chulo nem vá pra não sair reclamando. Tem que ir disposto a rir, a não se chocar. Se sexo e pênis ainda são tabus pra você, deixa guardados em casa pra poder curtir o espetáculo.

Sim, eu ri! Cheguei a gargalhar até. Parte pelas piadas, parte pela atuação, parte pela surpresa da situação. E, a julgar pelo som de risadas da plateia, todo mundo se divertiu bastante!

Gostou? Então fica ligado nas informações mais importantes. E nada de enrolar, corre logo porque a sessão em que eu fui esgotou.
A peça é apresentada no Teatro dos Grandes Atores (Shopping Barra Square) sextas e sábados às 21h e domingos às 20h, com duração de cerca de 1 hora e meia. O valor do ingresso é R$ 80,00 e está em cartaz até o dia 28/02. Ah! Recomendado para maiores de 14 anos.

Para maiores informações, promoções, novidades e descontos, acesso o site do Rio no Teatro e fique por dentro de tudo que rola!


Giulia Ladislau
26 anos. Filha do Rei. Carioca da gema. Aliança na mão esquerda. Pedagoga por formação, militar por profissão, revisora por paixão. Fascinada por livros desde quando nem se entendia por gente.

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