{ entrevista } Sarah Dessen

Ano passado a Editora Seguinte convidou alguns blogueiros pra fazerem perguntas à autora de Os Bons Segredos (leia a resenha). Ela não só topou responder como também foi uma fofa nas respostas. Confere aí!

Com vocês... Sarah Dessen


SARAH DESSEN nasceu em Evanston, Illinois, em 06 de junho de 1970. Ela se mudou com sua família para Virgínia Ocidental, e em seguida, na Carolina do Norte, onde agora reside com o marido, a filha Sasha Clementine, e cães.

Dois de seus romances, That Summer e Someone Like You, foram a base para How to Deal, um filme de 2003 estrelado por Mandy Moore.


• Para você, o que torna Os bons segredos especial em relação aos seus trabalhos anteriores? Você tem alguma preocupação quando começa a escrever um novo livro?
— Priscylla Plauto (Três Coisas) & Aymée Meira (Macchiato)

Os bons segredos é especial para mim por vários motivos, mas um dos principais é que talvez seja o livro mais ambicioso que escrevi nos últimos tempos. É uma história sobre família e amizade, mas também tem um romance importante. Há várias peças em jogo, o que às vezes dificultava a escrita. Mas tenho muito orgulho da história de Sydney.
O que mais me preocupa quando começo a escrever é 1) não terminar; e 2) não conseguir fazer jus à minha ideia original. Em Os bons segredos, sinto que cumpri esses dois quesitos. Pra mim já é suficiente!

• De quais autores você mais gosta e quais mais te inspiram a escrever seus livros?
— Lucas Duarte (Capa e Título)

Eu cresci lendo muitos autores americanos sulistas, como Harper Lee, Lee Smith e Kaye Gibbons. Eu adorava o fato de que as histórias eram sobre cidades pequenas, mas ainda assim tinham muitas camadas e vozes diferentes. Também amo muito A Prayer for Owen Meany, de John Irving. É meu livro preferido, um dos únicos que reli várias vezes. Cada vez que leio encontro algo novo, diferente e significativo. Para mim, isso é o que caracteriza um bom livro.

• Uma das coisas mais marcantes em seus livros são as reflexões que eles geram. É tocante vê-la abordando temas tão complexos e, infelizmente, reais no dia a dia dos jovens. Por isso, gostaria de saber qual das suas histórias foi a mais dolorosa de escrever (exatamente por causa da complexidade dos temas abordados).
— Paola Aleksandra (Livros & Fuxicos)

Considerando a complexidade dos temas, acho que Just Listen e Dreamland foram os mais difíceis de escrever. Os enredos envolvem abuso sexual e violência doméstica, respectivamente. Então eu tive que construir minhas personagens e depois fazê-las passar por uma situação horrível. Você acaba se apegando e se emocionando. Especialmente com a Caitlin, de Dreamland, havia dias em que eu precisava me afastar do computador e tomar um ar. Eu sabia que ela ia ficar bem: eu estava decidida que ela ficaria. Mas até chegar lá, precisava passar por muita coisa. E eu tive que encarar tudo com ela, de certa forma.

• O que mais me chamou atenção no livro foi o comportamento dos pais de Sydney. Apesar de todos os problemas com o filho mais velho, eles continuaram a defendê-lo e Sydney sempre ficou em segundo plano (e por muito tempo se acostumou a isso). A atitude dos pais dela me parecia, em muitos momentos, machista. Essa realidade é algo que você percebe em algumas famílias? Você se inspirou em alguém ao inserir esse drama familiar na história?
— Raquel Araujo (Por uma Boa Leitura)

Já ouvi muita gente comentando isso sobre Os bons segredos desde que foi lançado, e entendo completamente seu ponto. Para mim a questão não era o machismo mas a própria forma como a mãe de Sydney encarava a vida. Seus filhos eram suas conquistas e, até onde ela sabia, Sydney estava bem. Estava segura em casa, sob seu teto, indo à escola. Peyton, por sua vez, estava totalmente fora do alcance e do controle dos pais, então eles focavam as energias nele. Isso não quer dizer que estejam certos. Mas também não acho que seja algo incomum. Você se envolve tanto com os filhos desde que eles nascem porque é sua função garantir que eles se saiam bem e se tornem boas pessoas. Se você sente que falhou nessa missão, é compreensível tentar recorrer a tudo que estiver ao seu alcance para consertar as coisas.

Esta pergunta tem spoiler. Clique no botão por sua conta e risco!

• Em seus livros noto sempre um toque de esperança: por mais que existam dramas, o leitor não espera pelo pior e sim por algo bom no final. A sua intenção é encorajar o jovem na busca pelo seu próprio final feliz?
— Cida Oliveira (Moonlight Books)

No sentido prático e realista, eu sei que finais felizes nem sempre são possíveis. Coisas ruins acontecem e às vezes não conseguimos evitá-las. Mas nos meus livros tenho controle sobre o que acontece e gosto, sim, de deixar tudo resolvido da melhor forma possível. Como leitora, não gosto de passar horas lendo um livro para no fim ficar totalmente arrasada. Preciso de um pouco de esperança a que me apegar, tanto como leitora quanto como escritora. E, pela minha experiência, devo dizer que as coisas dão mesmo certo. Nem sempre acontecem exatamente do jeito que queríamos ou esperávamos, mas a gente sempre acaba chegando onde deve estar, de uma forma ou de outra. É o que espero para meus personagens e para mim.

• Quando eu terminei de ler Os bons segredos, passei literalmente uns vinte minutos encarando a minha pilha de livros a ler com o único objetivo de resistir à tentação de voltar para a primeira página e começar tudo de novo. E isso porque eu só fiquei uma semana com os personagens. Imagino que, para uma autora que passa meses criando cada página e cada personagem, deve ser complicado se despedir. Qual é o seu processo para dar adeus a personagens tão carismáticos quanto os Chatham? Existe um processo ou para cada livro há uma despedida diferente? Você já se pegou pensando nos personagens depois de concluir um livro?
— Talita Monteiro (Viciados em Leitura)

Ah, essa é uma pergunta tão legal! Obrigada! Eu realmente sinto falta dos personagens quando termino um livro. Passo meses diariamente com eles, ou até anos, com as revisões e tudo mais. Eles são reais para mim! Mas, ao mesmo tempo, sempre tento deixar meus personagens onde sei que vão ficar bem. Só assim posso partir para a próxima história. Não sou o tipo de autora que escreve séries, então não posso revisitar meus personagens em outros livros. É por isso que comecei a inserir pequenas aparições de personagens antigos em livros novos. É uma forma de mostrar aos leitores que todos ainda estão bem, felizes, que os casais estão juntos (pelo menos na minha cabeça). Se fiz meu trabalho direito, fico tranquila de partir para o próximo livro, porque sei que dei o meu melhor com o anterior. É como estou agora com Os bons segredos. É hora de começar outra história. Só que ainda não estou pronta!

• Você dedicou Os bons segredos para as garotas invisíveis. Que conselho você daria a elas?
— Kleris Ribeiro (Dear Book)

Eu diria que é muito provável que vocês não sejam tão invisíveis quanto pensam. Só porque algumas pessoas não estão te vendo não significa que ninguém está. E o que é mais importante, de verdade, é enxergar a si mesma com clareza. Todo mundo se sente meio ignorado às vezes: eu ainda me sinto, mesmo na casa dos quarenta. Não dá para todo mundo ser extrovertido! Mas só você vai saber como deixar sua marca. E você vai deixar.

O próximo livro de Sarah Dessen publicado pela Seguinte será This Lullaby, sobre uma garota que está vendo a mãe planejar seu quinto casamento e não acredita em relacionamentos duradouros. O lançamento está previsto para o meio deste ano.

Fonte: Blog da Companhia
Giulia Ladislau
26 anos. Filha do Rei. Carioca da gema. Aliança na mão esquerda. Pedagoga por formação, militar por profissão, revisora por paixão. Fascinada por livros desde quando nem se entendia por gente.

5 comentários

  1. Oi, como vai?
    Menina, que autora mais fofaaaaa! Eu li Mandy Moore e meus olhos ficaram cheios d'agua. Ela é minha atriz favorita da vida pela atuação em Um amor para recordar haha. Eu ainda não li nada da autora, mas com certeza vou mudar isso.

    Beijos, Lali
    Cantinho da Bruna

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  2. Oi! Tudo bem?

    Não conhecia a autora... Mas adoro a Editora! Achei muito bacana a iniciativa. Conheço a Paola do Livros e Fuxicos e achei a pergunta dela muito interessante!:) Aliás, a entrevista como um todo complementou-se de maneira magnífica! Ficou muito legal, mesmo! :D Só não li a pergunta com spoiler, pq né... Vai que eu tenho a oportunidade de ler a obra dela?! :D

    Beijos,

    Juliana Garcez | Livros e Flores

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  3. Olá, tudo bem? Ah adorei a autora ela me pareceu muito simpática e adorável consedendo uma entrevista para você. Mas foi muito difícil fazer uma entrevista em inglês? ou você é fluente? Eu sempre vejo blogs fazendo entrevistas e fico me perguntando com será que eles fazem? Beijos
    Sthe - Blog
    http://leesoncre.blogspot.com.br/

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  4. Olá Giula!
    Nossa, uma entrevista com a Sarah seria PERFEITO! Fico muito feliz pela editora dar um espaço assim pra vocês parceiras.
    O que mais me toca nesse livro da Sarah é a preocupação dela com as meninas que não são populares, na verdade, com os assuntos jovens em geral. Me identifico muito com isso e fiquei muito feliz de ter lido Os bons segredos!
    bjss
    http://umavidaliteraria1.blogspot.com.br/

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  5. Oiii
    A seguinte caprichou então né!
    Incrível essa oportunidade.
    Adorei a entrevista,me passou a impressão que a autora é uma pessoa simpática.
    Gostei muito do post. Estou empenhada no meu inglês,para fazer entrevistas internacionais.
    Beijos.

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