Brasyl - Ian McDonald


Título: Brasyl
Autor(a): Ian McDonald
Editora: Saída de Emergência / Arqueiro
Nº de páginas: 416
Onde comprar: Submarino | Saraiva | Americanas | Casas Bahia
Nota:

Três personagens. Três histórias. Três brasis. Ligados através do tempo, do espaço e da realidade.
Marcelina é uma produtora de TV que sai pelas ruas do Rio em busca do sucesso que lhe trará a fama. Quando uma ideia para um programa a faz rastrear o mais infame goleiro do futebol brasileiro, ela se envolve em uma antiga conspiração que ameaça não só a sua vida, mas também a sua alma.

Edson é um empresário de celebridades tentando sair das favelas de São Paulo em um futuro não muito distante. Um encontro inesperado o faz cair no mundo perigoso da computação quântica. Agora, sem ter para onde fugir em um Brasil em que cada rosto e centavo são rastreados, ele precisa salvar a própria pele.

Padre Luis Quinn é um missionário jesuíta que vasculha as profundezas da Floresta Amazônica do século XVIII em busca de um padre renegado que tenta estabelecer um império. Mas o que ele encontra ali põe em xeque a sua fé e a própria realidade.

A primeira frase da sinopse mostra de forma simples e direta a proposta do livro. 3 histórias paralelas, com personagens, cenários e tempos diferentes, com apenas uma coisa em comum: todas se passam no Brasil.

1732. O padre Luis Quinn sempre busca desafios e procura as mais difíceis missões. Dessa vez ele vai para o Brasil à caça de outro padre. Chegando a Salvador, começa a perceber que esse território é diferente. Mas é na Amazônia que ele terá sua fé posta à prova e precisará de força e coragem - e de seus conhecimentos de espadachim - para enfrentar o pior inimigo.

2006. Marcelina Hoffman é uma mulher muito superficial. Ela é produtora de TV - de programas de qualidade duvidosa -, frequenta festas, é desapegada da família, tem encontro casuais, de vez em quando se droga e tem como hobby capoeira. Apesar de sua aparente falta de inteligência, ela é bastante esperta, tanto que tem a ideia de produzir um programa com o goleiro Barbosa, acusado de ter falhado propositalmente na derrota do Brasil pro Uruguai na copa de 50. Só que essa ideia pode se revelar mais perigosa do que ela imagina, com conspirações que vão além do futebol.

2032. São Paulo é a cidade onde Edson de Freitas reside, um caçador de talentos autônomo. Ele sempre quis crescer na vida e deixar pra trás a favela. Só que no Brasil futurista as vidas são vigiadas 24 horas por dia, e é por isso que ele se mete em uma enrascada. Seu irmão comete um roubo e eles precisarão da ajuda dos quantumeiros, os hackers especializados em computação quântica. E, depois de conhecer e se interessar por Fia, sua vida mudará pra sempre.

De um modo bem original, essas 3 realidades se convergem. Podemos até dizer que são uma única história interligada. Ian McDonald precisou estudar física quântica e entropia para escrever. E sobre o Brasil também, afinal ele é britânico, mas parece que nasceu e cresceu aqui - ou ao menos morou por um tempo -, apresentando informações corretíssimas (história, religião, cultura, política, canais e programas de TV, futebol, endereços, etc.) sobre o nosso país, mostrando o lado bom e o ruim. A princípio nos familiarizamos com os personagens, conhecendo suas características e intenções, depois vemos como eles (re)agem no cenário em que são colocados e por último somos surpreendidos com a junção de tudo. Claro que isso mantém o leitor atento!

Ganância, vaidade, voracidade, brutalidade e desprezo pela vida são vícios de todas as grandes nações do mundo. No Brasil elas são virtudes corretas e praticadas com zelo.

A maior lição - sim, ficção científica nos ensina também - é que cada coisa, por menor que seja, tem uma consequência. Detalhes e opções podem gerar efeitos variados, nos dando milhares de alternativas com cada combinação. E assim me peguei pensando nas múltiplas versões alternativas do Brasil, o que é, o que poderia ter sido e o que ainda pode ser.

Apesar de todos esses pontos positivos e da criatividade do autor, às vezes a narrativa se torna um pouco lenta, especialmente no início. É preciso muita atenção pra não perder nenhum ponto importante e conseguir extrair o máximo das longas frases que formam o livro. Não é uma literatura passatempo, pra distrair a mente, tem que focar e se permitir ser envolvido na trama, às vezes até insistir pra não abandonar.

Prepare-se para embarcar em uma história densa, com conspiração, referências, detalhes impressionantes sobre o Brasil e muita, muita inteligência.
Giulia Ladislau
26 anos. Filha do Rei. Carioca da gema. Aliança na mão esquerda. Pedagoga por formação, militar por profissão, revisora por paixão. Fascinada por livros desde quando nem se entendia por gente.

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