O Amor nos Tempos de #Likes


Nossa geração é aquela que já nasceu conectada e que leva uma vida mais virtual do que real. Só que isso parece ser contagioso. Em pleno século XXI, existe alguém que não tenha perfil em uma das inúmeras redes sociais ou que não tenha trocado os longos telefonemas com os amigos pela praticidade das mensagens instantâneas? Ainda existem aqueles que resistem, mas precisamos admitir que são uma espécie em extinção.

O calor humano foi substituído pelas telas, influenciando diretamente na forma como nos relacionamos com o próximo. O que nos leva a imaginar como se dava a convivência antes dos testamentos no Orkut ou das fotografias postadas no Instagram. Como seria o envolvimento de Romeu e Julieta nos tempos atuais? Será que teriam tantos empecilhos assim? O que afastaria Lizzy do Sr. Darcy (além do gênio de ambos)? Como seriam retratados Bentinho e Capitu? É exatamente o que vamos descobrir em O amor nos tempos de #likes.

Composto por três contos, a obra traz releituras escritas pelos booktubers Pam Golçalves (Orgulho e Preconceito), Bel Rodrigues (Dom Casmurro) e Pedro Pereira e Hugo Francioni (Romeu e Julieta).

Abaixo iremos esmiuçar brevemente sobre o que se trata cada história:

Em Próximo Destino: Amor, escrito por Pam, conhecemos Liziane, que é uma youtuber que já colhe os frutos do seu trabalho. Ela estava a caminho de casa, mas acaba presa no aeroporto por conta de uma tempestade. Como não há o que fazer, ela tenta ser produtiva. É dia dos namorados e seu próximo vídeo tem como tema o amor, acontece que nesse quesito ela não tem quase nada a falar. Se a tarefa em si não ajuda, as pessoas ao redor também não. William igualmente está retornando para casa, e a demora no aeroporto o deixa agoniado. Sua irmã está internada no hospital, e nada o deixa mais feliz do que ver o sorriso dela. Liz e Will têm um primeiro contato nada amigável, mas tudo pode mudar quando eles embarcam juntos rumo a Florianópolis.

O ódio e o amor caminham juntos. Muitas vezes eles são usados como disfarce. Pessoas que nos amam fingem odiar por medo de amar. É muito mais fácil odiar do que mar. No ódio, você se fechar. No amor, se abre e fica vulnerável.

LEO: Durante a leitura foi impossível não me perguntar o quanto da Pam existe na Liz.

DREEH: Na minha opinião, este não foi um enredo muito original, porém, foi o conto que eu mais gostei do exemplar e ele me deixou com vontade de saber como a autora se saiu em seu livro solo.

Em (Re)Começos, escrito por Bel, nos é apresentada a Madu, uma garota cheia de atitude, mas que se prendeu por tempo demais ao namoro com Roberto. Ela tentou viver um conto de fadas, e em alguns momentos até acreditou nele, mas na verdade não passava de um relacionamento abusivo. Precisando de um tempo para si, para se reconectar consigo, Madu decide comemorar o seu aniversário sozinha em Búzios, no Rio de Janeiro. Em uma de suas andanças pela cidade ela descobre um pub com uma proposta muito diferente: um encontro as escuras. As pessoas que topam entrar são guiadas até uma mesa onde irão conversar com outrem, mas sem que suas identidades sejam reveladas. O local é todo escuro para preservar o mistério do seu par, que só acaba se a dupla concordar em se encontrar do lado de fora. Eduardo tem um motivo extra para topar um encontro nessas condições, já que sua fisionomia às vezes atrai o tipo errado de pessoa. Mas o resultado desse encontro pode surpreender a ambos.

LEO: Essa foi a narrativa que mais me envolveu. Gostei da pegada mais juvenil e como não teve nenhuma mudança drástica na vida dos personagens, ficou bem crível. Senti que ele foi o mais completo, pois não precisei ficar especulando o que aconteceu depois, já que autora nos presenteou com um início, meio e fim.


Por fim, em 337 KM, escrito por Pedrugo, observamos Julio, que é um aspirante a escritor, que compartilha suas histórias em um grupo no facebook de textos autorais. Ramon é um leitor ávido que se encanta com o texto de Julio. Apesar de tímido, ele cria coragem para adicionar o rapaz e eles começam a trocar várias mensagens. Claro que eles descobrem que têm muito em comum, mas eles moram em lugares tão distantes (as vantagens e desvantagens da internet, né?)... como fazer esse relacionamento dar certo?

LEO: Esse foi o texto que me despertou mais curiosidade. Quem diria que um dia eu toparia com uma releitura de Romeu e Julieta protagonizado por um casal homossexual, que tinha de tudo para ser perfeito, mas que acabou sendo mediano? Mesmo que o argumento seja bom, senti que faltou química entre os personagens. Entretanto, não posso deixar de dizer que a alternativa deles para a fatídica e icônica cena do romance foi ótima.

DREEH: Em suma, O Amor nos Tempos de #Likes é fofo por fora e por dentro. A diagramação é confortável para a nossa vista, mas não possui nada demais. Há muitos balõezinhos de mensagens dando um charme extra, e não poderia ser diferente, levando em conta a temática do volume, e a abertura de cada conto possui ilustrações. Iniciei essa leitura sem muita expectativa, mas me surpreendi com o que encontrei. É um livro rápido, agradável para passar o tempo e ótimo para nos resgatar daquela ressaca literária.



O Amor nos Tempos de #Likes - Pam Gonçalves, Bel Rodrigues e Pedrugo (Hugo Francioni e Pedro Pereira)
Galera Record
272 páginas
Livro cedido pela editora
Onde comprar:  Submarino | Saraiva | Americanas | Fnac | Cultura


Corte de Névoa e Fúria - Sarah J. Maas

Esta resenha contém spoiler do primeiro livro da série.
Corte de Espinhos e Rosas

Na segunda vez em que atravessou o muro entre seu mundo e Prythian, Feyre sabia que poderia nunca voltar. Ela tinha o poder de libertar os feéricos da maldição de Amarantha, mas não imaginou que as consequências desse ato heroico, impulsionado pelo amor que sentia por Tatim, fossem tão devastadoras.

Juntando os Pedaços - Jennifer Niven

Amo quando a Seguinte manda provas pra gente, amo mais ainda quando eu me apaixono pelo livro. Foi o que aconteceu. ♥ Quando li Por Lugares Incríveis não consegui sentir toda a emoção que o pessoal falou, talvez não tenha me conectado à história direito ou tenha criado expectativas demais. Mas como sempre gosto de dar uma segunda chance aos autores, lá fui eu. E não me arrependi!

Traços - Eduardo Cilto

Resenha dupla com a Barbara do Segredos Entre Amigas

Matheus e Beatriz são grandes amigos desde que o garoto mudou-se com a família de São Paulo para o interior, após a morte do irmão mais velho. Os dois não se desgrudam e Matheus faz tudo por Bia, porque é profundamente apaixonado pela menina. Então, não é surpresa pra ninguém quando ele, que não sai de casa para nada, aceita acompanhar a amiga na festa da escola.

Garota Desaparecida - Sophie McKenzie

De vez em quando eu lembro que gosto de suspense e aí me aventuro nesse caminho. A premissa me pareceu interessante quando li a sinopse, bora arriscar. Mas não rolou tão bem quanto eu esperava. O livro tinha tudo pra ser ótimo, mas a autora não conseguiu explorar seu potencial.

Ele começa bom, já te puxando pra história no primeiro capítulo. A impressão que eu tinha era que já estava prestes a chegar à solução, mas ainda era o começo do livro. A partir de uma redação com o tema "Quem sou eu?", Lauren resolve fuxicar seu passado e tentar descobrir algo de sua família de origem, já que foi adotada aos 3 anos. De repente se vê em um site de crianças desaparecidas e encontra uma menina muito parecida com ela mesma que sumiu nos EUA pouco antes da data de sua adoção. Ela tenta tirar isso da cabeça porque mora em Londres e não consegue imaginar seus pais fazendo tal atrocidade, mas a sementinha já tinha sido plantada e ela foi atrás disso.

Depois que fala pra Jam, seu melhor amigo, eles começam a tentar entender melhor essa história, e ela encontra pistas nos arquivos secretos da mãe. A ideia de ir pessoalmente à agência onde ela foi adotada ganha força, e ela elabora vários planos pra convencer os pais a cruzarem o oceano. E aí a coisa começa a degringolar.

Adolescentes de 14/15 anos viajando sozinhos de avião e ônibus, sobrevivendo a uma noite no meio do nada, arranjando dinheiro que nem têm... Em vários momentos os acontecimentos não eram críveis. Parecia que havia uma mão solucionadora de problemas que abria caminho pra Lauren e Jam e travava todo o restante do mundo. Praticamente nada dava errado, e quando dava acontecia um milagre pra resolver a situação.

Usar sequestro de crianças pra desenvolver um enredo é uma sacada ótima, porque além de ser pouco explorado é um assunto atual e importante. Só no Brasil 40 mil crianças desaparecem por ano! Vocês têm noção do que é isso? Alguma vez já se colocaram no lugar da família que perde um filho que ama e não tem nenhuma informação sobre ele? Cara, deve ser muito pesado!

Por algum motivo, eu nunca tinha me dado conta de que as respostas para todas as perguntas do meu passado podiam estar dentro da minha própria cabeça.

Como a gente acompanha a história pela visão da Lauren, essas cenas não estão presentes. Até pra ela é difícil entender o que aconteceu, pois suas lembranças são muito confusas. Mas conseguimos entender um pouco o turbilhão de sentimentos e pensamentos que ela vivia: não sabia quem era sua família biológica, achava que podia ter sido sequestrada e - pior! - pelos pais adotivos, não tinha abertura em casa pra conversar sobre assuntos delicados... A autora poderia ter ido mais pro lado do drama ao invés de surtar com esses adolescentes aspirantes a ninja.

E qual não foi minha surpresa ao descobrir que esse é só o primeiro livro de uma trilogia? Pra que continuar, meu Deus?! Os próximos contarão as histórias de pessoas próximas a Lauren. continuando na linha "não tô creno no que tá conteseno", haja desgraça pra uma família só! Misericódia!

Não recomendo. Acho que você pode investir seu tempo numa leitura melhor. Mas, se você quiser ler pra ter a própria opinião, vai na fé! Depois não diz que eu não avisei. Hehehe!

Garota Desaparecida - Sophie McKenzie
Verus
235 páginas
Livro cedido pela editora
Onde comprar: Submarino | Americanas | Saraiva

O primeiro dia do resto da nossa vida - Kate Eberlen


Se você é ansioso, leia “O primeiro dia do resto da nossa vida”. O livro conta a história de Tess e Gus que têm muitas coisas em comum. Só que tem um detalhe, eles não se conhecem e nem sabem se vão se conhecer. Motivo da leitura: A capa (sempre a capa). Achei linda, sem contar que me deixou um tanto curiosa, já que na sinopse diz que eles tudo pra ficarem juntos e na capa eles caminham para lados opostos.

Nem tudo será esquecido - Wendy Walker


Quando li a sinopse fiquei muito interessada, apesar do peso do tema abordado e de suspense não ser meu gênero favorito. Pensei, pensei, pensei mais um pouquinho e resolvi que iria arriscar. Leio para ampliar minhas perspectivas e mergulhar em novas sensações, penso que experimentar a leitura de gêneros diversos nos dá essa oportunidade.

A Rainha Normanda - Patricia Bracewell

Livro A Rainha Normanda - Patricia Bracewell

A Rainha Normanda busca explorar aspectos medievais na medida em que contextualiza o "romance" que é transpassado pela história. Vamos combinar que amor proibido, laços político-econômicos dados por herança e disputas por reinos tão tão distantes são fatores quase que exclusivos para livros de ficção histórica, mas, até que ponto limitar tais fatores para a construção de uma história original, intrínseca e instigante?

Passeando pela Normandia, Inglaterra e Dinamarca, A Rainha Normanda é narrado em terceira pessoa sem qualquer ponto de inferência dos personagens. Tal narrativa deixou a história significativamente cansativa. As ocorrências que delinearam a história foram apresentadas bem superficialmente e sem impacto algum. É compreensível que a autora tentou construir um cenário perfeito ao máximo para obra, mas ela em si, além de cansativa, tornou a não fluir pela extrema necessidade da descrição de cenários, roupas, expressões e até mesmos gestos.

Ao que parece ser uma trilogia, neste primeiro livro conhecemos Emma, uma jovem de 15 anos, filha do rei da Normandia, destinada por interesses exclusivamente políticos a casar-se com o viúvo rei da Inglaterra, Æthelred II, e assumir o trono de rainha dispondo de privilégios irrevogáveis segundo as leis dos homens e as leis de Deus. Ao se deparar com a situação de assumir um reinado que não te pertence, Emma passa a ter de tomar sérias decisões como saber a quem entregar a sua fidelidade e o seu coração.

A obra em si tem um quê de realidade ao relatar sobre Emma da Normandia, invasores vikings e reinados que perfiaram o tempo no século X, porém foi adaptada pela autora que usou da licença literária para narrar eventos pouco documentados pela história.

O início da obra é dado com uma série de narrativas, pontos de vista e cronologias que afetaram o desenvolvimento desde suas primeiras páginas, além disso, inúmeros personagens foram introduzidos superficialmente tapando buracos que não seriam resolvidos com o desfecho da história.

Livro A Rainha Normanda - Patricia Bracewell


Æthelred II é um rei nada tradicional e seus medos e conflitos internos foram colocados à tona incontáveis vezes tornando-o enfadonho até mesmo em sua relação nada amigável com Emma. O cristianismo é evidente e diversas explicações são atribuídas a Deus, como também diversos mitos ou misticismos na corte em si.

Emma, que eu já esperava ser uma rainha dura e persistente, me desanimou bastante com sua submissão inicial e fraqueza diante das adversidades de lidar com Æthelred. Fiquei um pouco mais compreensivo com a personagem quando lembrei que ela só tinha 15 anos e estava passando por acontecimentos que eu não seria capaz de me pôr no lugar. rsrs

Ao caminhar pelas páginas finais, a obra passa a ter um aspecto mais crível com batalhas, decisões erradas e pontos a serem fechados, dando um pouco mais de emoção e vida à história.

Romance definitivamente não é o foco deste livro, Patricia não se esforçou em florear a narrativa. Escreveu pesado, mas escreveu bem. A escritora pode não ter se esforçado para criar uma história original (pois ela já existia), porém descreveu muito bem. até ficar cansativo, btw...

A diagramação é bacana, mas odeio glossário no inicio dos livros. Não seria mais útil utilizar notas de rodapé quando necessário?

Pra quem gosta de crônicas anglo-saxãs, recomendo! Não estou tão ansioso para ler o segundo livro no momento, mas me arrisco a dizer que será um pouco melhor que seu antecessor.

Livro A Rainha Normanda - Patricia Bracewell

A Rainha Normanda - Patricia Bracewell
Arqueiro
400 páginas
Livro cedido pela editora
Onde comprar: SubmarinoAmericanas | Saraiva

A Profecia do Pássaro de Fogo - Melissa Grey

Uma guerra se desenrola há anos entre dois povos, sem que os humanos tenham conhecimento. De um lado temos os Avicen, um povo formado por criaturas com penas por todo o corpo, no lugar dos pelos e dos cabelos; do outro temos os Drakharian, que são parecidos com dragões e possuem escamas pelo corpo. Eles são conhecidos por seus poderes mágicos e por sua guerra incessante, que nenhum dos povos mais sabe o porquê de ter começado, apenas que são inimigos.

Novembro, 9 - Colleen Hoover

Resenha Livro Novembro, 9


Não há melhor data pra sair essa resenha, não é mesmo? Hoje é o dia em que Fallon e Ben estarão juntos, em um restaurante de Los Angeles, cumprindo o acordo de se encontrarem todos os dias 9 de novembro. Esse livro é um tanto peculiar: em 5 anos, sabemos só o que acontece com os personagens nesse dia específico. É uma data importante pra ambos separadamente e se torna ainda mais especial depois do primeiro 9/11 juntos.